RESUMO: “A Riqueza das Nações” – Capítulos 1, 2 e 3

A Riqueza das Nações; Adam Smith; Livro 1; Capítulo 1: A Divisão do Trabalho; Capítulo 2: O Princípio Que Leva à Divisão do Trabalho; Capítulo 3: A Divisão do Trabalho Limitada Pelo Mercado.

A Divisão do Trabalho

Adam Smith começa afirmando na introdução da sua obra A Riqueza das Nações que o fundo do qual um país pode consumir depende das condições das forças produtivas da mão de obra e da quantidade de pessoas empregadas no trabalho produtivo ou improdutivo.

Adiante já no capítulo 1, Adam Smith demonstra que o fator do aumento das forças produtivas deve-se a divisão do trabalho. Quando um trabalhador faz diversas atividades, não aumenta significativamente sua capacidade naquelas atividades; todavia, quando o mesmo pode dedicar-se apenas a uma atividade, sua destreza, habilidade e engenhosidade aumentam.

Adam Smith infere três princípios para isso:

1) O aumento da destreza, causado pelo exercício repetitivo de uma única atividade. Oras, sempre que nós trabalhamos em uma única atividade, sem termos que nos dedicar a outras, nós focamos toda nossa mente e corpo para a atividade. Dessa forma, nossa habilidade (êxito do hábito) vem de forma natural. E ela vem mais rápido é e melhor quando o trabalhador atua em uma única atividade.

2) O tempo poupado dentre uma troca de atividade e outra também é crucial para a produtividade, visto que para se trocar de uma atividade o trabalhador comumente necessita locomover-se para pegar seus utensílios necessários, ou até mesmo locomover-se para lugares distantes. Além de que, quando um trabalhador muda de atividade, leva um tempo até que sua cabeça deixe de pensar na atividade anterior e foque-se na atual, o que baixa a produtividade.

3) O aumento da possibilidade da criação de máquinas torna-se maior quando o trabalho está divido, pois, quando um trabalhador está prestando toda sua atenção a uma única atividade, comumente ela a compreende melhor, e em busca de ter mais tempo livre ele tende a buscar métodos de aperfeiçoar sua atividade, o que leva o trabalhador a ser mais engenhoso e criar novas máquinas para auxiliá-lo no trabalho.

Entretanto, comumente vemos que os países desenvolvidos não têm uma agricultura proporcionalmente superior a agricultura dos países subdesenvolvidos quanto têm as manufaturas. Isso deve-se ao fato de que a agricultura não suporta uma divisão tão grande de atividades produtivas, pois depende das ações da natureza, determinadas por estações do ano. Dessa forma, não torna-se necessário que homens diferentes cultivem o solo, plantem, colham etc; visto que cada uma dessas atividades se dá em períodos diferentes do ano, podendo então utilizar de um único trabalhador para todas as tarefas.

O Princípio que Leva a Divisão do Trabalho

Adam Smith afirma que não trata do objetivo dele e de sua obra descobrir se esse princípio é natural ou não, mas sim confirmar sua existência. Adiante, Smith demonstra que nas tribos primitivas fora onde iniciara a divisão do trabalho, pois um caçador ao perceber que era bom em caçar, mas não em criar arco e flechas; e uma espécie de carpinteiro percebe que é melhor em criar arco e flechas, mas não em caçar, decidem dedicar-se a uma única atividade, e trocam então os frutos de seu trabalho pelos frutos do trabalho dos outros. Ao produzir muitos arcos e flechas, o indivíduo da tribo troca-os por carne de caça com os caçadores da tribo; enquanto isso, os caçadores de beneficiam dos arcos e flechas para as próximas caçadas.

Pode-se concluir a partir dessa observação que existe uma inclinação à permuta, ou seja, à troca. Dessa forma, o que leva a divisão do trabalho é necessidade de trocar produtos por outros, onde cada um especializa-se no que é produtivo e troca os frutos excedentes do seu trabalho com os outros, por produtos que os outros são bons em produzir, enquanto esse primeiro, nem tanto.

A Divisão do Trabalho Limitada Pelo Mercado

Se é a inclinação à permuta, ou seja, às trocas que gera a divisão do trabalho, então ela deve estar limitada pela troca, em outras palavras, pelo mercado.

Se com uma divisão do trabalho grande um produtor de artigos de metal pode produzir cerca de 1 mil pregos por dia, e trabalhando durante 300 dias por ano, pode produzir 300 mil pregos por ano, mas a demanda por pregos na sua região é de apenas 1 mil pregos por ano, então não é necessário uma grande divisão do trabalho para a produção de pregos nessa localidade. Sendo assim, a divisão do trabalho limitada pelo mercado.

Entre todos os meios de transporte de produtos, percebe-se que o mais eficiente é o meio marítimo. Navios e barcos podem transportar uma quantidade enorme de produtos em comparação aos demais meios. Assim sendo, os locais próximos de rios, lagos e mares destacam-se por terem um maior comércio, logo, esses locais têm uma maior divisão do trabalho. Assim, cria-se um processo cíclico de expansão do mercado, divisão do trabalho, expansão do mercado, divisão do trabalho, e assim por diante, tendo em vista que há setores que têm limites na divisão das atividades.

Por conta disso, os locais próximos de meios dos quais possa utilizar-se do transporte marítimo são mais desenvolvidos, sendo esse desenvolvimento notado de forma histórica, onde facilmente observa-se que as primeiras civilizações formaram-se em torno de grandes rios que possibilitam o comércio e, em decorrência disso, evoluíram melhor e mais rápido do que civilizações que surgiram próximas a rios que não possibilitam o comércio por diversos motivos.

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