Resenha e Crítica – “AQUAMAN”

Para finalizar o movimentado ano de 2018 nos filmes de adaptação de histórias em quadrinhos a DC e Warner lançam Aquaman, o único e aguardado filme do estúdio, que recebe em suas costas o peso de retirar o gosto amargo deixado por Liga da Justiça.

Dirigido por James Wan, a nova aposta da Warner Bros. em seu universo cinematográfico de super-heróis é situado após os eventos do longa anterior. Aquaman se aprofunda na história do herói homônimo sem ser exatamente uma história de origem do herói, pois no universo estabelecido este já se consagrou como tal, mas podemos caracterizá-lo sim como uma história da ascensão de Arthur Curry, interpretado por Jason Momoa, ao governo do conhecido e importante reino da DC nos quadrinhos, Atlântida. No longa, Arthur se junta à personagem de Amber Heard, Mera de Xebel, contra a ameaça de seu meio-irmão Orm pela segurança da superfície. Para isso, a dupla de protagonistas se aventura na busca pelo lendário tridente do Rei Atlan — o primeiro Rei de Atlântida.

A história, apesar da grande fidelidade à origem do herói nos Novos52, uma das fases mais consagradas do personagem nos quadrinhos, é razoavelmente boa. Temos ali a jornada do herói com diversos altos e baixos, ocasionados principalmente pela falta de relação emocional que construímos com os protagonistas, e temos boas motivações construídas tanto pelo vilão, o Rei Orm (Patrick Wilson), quanto pelo Arraia-Negra, interpretado por Yahia Abdul-Mateen, que tem neste longa praticamente a mesma função dada à Faora-Ul em O Homem de Aço ou aos filhos de Thanos em Vingadores: Guerra Infinita.

Fora os dois atores principais, que, em conjunto, definitivamente não são bons mesmo com a imensa ajuda que o carisma de Jason Momoa garante, o elenco é formado por grandes nomes que realizam trabalhos agradáveis em seus personagens. Nicole Kidman emociona como a Rainha Atlanna tanto quanto Temuera Morrison como Tom Curry, o pai de Arthur. Willen Dafoe, o Vulko, e Dolph Lundgren, o Rei Nereus, certamente entenderam seus personagens, mas ambos não possuem tanto tempo de tela mesmo com a grande importância na construção da trama. Patrick Wilson entrega um vilão exagerado e ambicioso pelo trono, sendo de longe o melhor intérprete do elenco, compartilhando seu desejo pela morte do herói mestiço com o raivoso e vingativo Arraia-Negra.

Orm e Arraia também são exemplos claros de outro dos pontos muito fortes de Aquaman, que são os visuais. Wan abandona toda a vergonha nas cores vibrantes e abraça os figurinos ridículos que Zack Snyder aparentemente tanto temia. Desde a dupla de protagonistas e os coadjuvantes até os soldados figurantes, todos apresentam trajes ostentando cores e brilho que contradizem o universo sisudo onde se encontrava. A cafonice e a ridicularização dos poderes do personagem são acolhidos por toda uma direção e a construção de um universo abaixo d’água que nos permite esquecer de quaisquer Leis da Física, como um filme fantasioso de super-herói deveria fazer. Essa atenção aos Efeitos Visuais e às grandiosas batalhas, com um belíssimo trabalho de escala do diretor, nos tira da memória diversos momentos ruins que o roteiro proporciona. O público com certeza não vai fugir da imersão para refletir que viu certos momentos em que fazemos piada quando assistimos Bob Esponja.

Aquaman é de longe um dos filmes mais ambiciosos e originais da DC há muito tempo, conseguindo atingir uma postura aventuresca e mesclando todos seus elementos vergonhosos com a história e os visuais absurdos, de longe não querendo fingir que não é um filme de personagens fantasiosos. James Wan brinca com um orçamento alto de maneira proveitosa como não vimos em nenhum outro filme da Editora das Lendas, porém entrega uma montagem estranha e um roteiro raso, apesar de redondo, protagonizado por uma dupla que definitivamente não se completa. Em contrapartida, sua direção de cenas e a aparente maestria com ação enche os olhos do espectador com batalhas épicas em escala que as valoriza, brilhando com os visuais e outros elementos épicos e uma narrativa que não cansa os olhos em momento algum, que jogam para as profundezas do mar quaisquer defeitos que traz consigo.

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