A polarização política no país criou cegos

Nos últimos anos, desde pouco antes do impeachment da ex-Presidenta Dilma Rousseff (PT), uma onda ideológica ressurgiu no Brasil promovendo uma polarização que, em pouco tempo se intensificou findando na principal divisão dicotômica entre ESQUERDA e DIREITA.

Em suma, como DIREITA POLÍTICA estão os adeptos do conservadorismo, defensores da família tradicional (homem, mulher e filhos), os quais repudiam movimentos progressistas como da comunidade LGBTQ+, feminismo ou movimento negro. Em contrapartida, a ESQUERDA POLÍTICA possui adeptos de a formação familiar não se restringir ao comum “homem e mulher”, mas toda união voluntária, seja hétero ou homoafetiva, abraçando, portanto, os movimentos feminista e negro.

Não é de se estranhar que, por consequência, os Partidos Políticos aderiram a esta divisão social, adotando para si um polo ou outro conforme julgaram a cartilha mais interessante para angariar votos.

Próximo ao impedimento de Dilma Rousseff essa segmentação social ficara mais evidente e, enquanto se pensava que poderia cessar, se fortaleceu.

A militância de Esquerda ganhou força junto com outros Partidos que, como parasitas, se agarraram a esses movimentos sociais e assim buscaram penetrar nas mentes do cidadão, futuro eleitor, para garantir seu poder na Política Brasileira.

De outra banda, a militância de Direita, mais acuada, teve igualmente seus parasitas, mais ríspidos e ainda menos adéptos a movimentos sociais, enfatizando o repúdio ao que chamam de “politicamente correto” e “ideologia de gênero”.

Se há real ânimo por um Brasil melhor dentro das pretensões de cada Partido é o questionamento ainda sem respostas e, caso se procure uma resposta diretamente dos opositores ou apoiadores, com raríssimas exceções, se obterá uma que se possa considerar sincera e verdadeira.

Ocorre que, paralelo ao crescimento da polarização política, agigantou-se a ignorância e a concordância com atrocidades cometidas por políticos; isto é, tem-se atualmente a defesa impudica de abusos e corrupções caso estes atos repugnantes tenham sido praticados pelo político ao qual o indivíduo aderiu a bandeira. Por outro lado, caso os abusos e corrupções tenham sido praticados pelo político da oposição, não faltam críticas.

Essa doença advinda da dicotomia, a mídia já fora infectada. O maior exemplo desta patologia presente nos meios de comunicação são as diversas reportagens tidas como fake news ou chamadas demasiadamente desconexas com a realidade ou ainda desonestas para com os fatos noticiados.

Outrossim, criou-se o pensamento de que o político condenado por crimes praticados à época de seu mandato é instantaneamente inocente (ou digno de enaltecimento), caso tenha oferecido migalhas a população. Há esta infantilizada ideia de que um criminoso é menos criminoso se deixou algumas moedas para a vítima voltar para casa ou tenha apenas lhe cortado um membro. Diante de um pensamento tão raso deveria se esperar o repúdio, porém, infelizmente, foi aderido por alguns.

Atualmente a intensão do(a) brasileiro(a) não se mostra ser a luta por uma política limpa, sem qualquer criminosos e desonrosos políticos, mas tão somente manter no poder aquele que cumpra sua “agenda ideológica”, se será um plano de governo bom ou não, pouco importa a estes ideólogos, pois sempre hão de encontrar um meio para justificar a conduta absurda de SEU político.

Não há como esta polarização ser comemorada por se tratar de uma “pluralidade partidária ou de ideias” que, supostamente, afasta o pensamento acrítico do brasileiro. Pelo contrário, a polarização que se depara no país apenas alimenta a falta de criticismo por parte do cidadão, visto que ideologias não possuem qualquer compromisso com o real, com o palpável e o possível, mas tão somente com seu campo de ideias.

Desprovido de um senso crítico está aquele que ameniza os abusos de um polo, mas massacra o outro. Ainda mais cômico tem-se ideólogos desta década julgando-se “intelectuais”, quando verdadeiramente não passam de máquinas que decoraram a agenda de um ideal e o seguem descompromissados com a realidade do país, isso está longe de ser um legítimo intelectual.

Agora, o Brasil enfrenta mais quatro anos de um novo governo, após dezesseis anos sob as mãos do Partido dos Trabalhadores experimentará os atos de um partido jamais visto ocupando um cargo tão alto como o de Presidente. Se será um bom governo ou não se deve aguardar para tecer melhores críticas, estas que devem ser desprovidas de ideologismo, uma vez que, como demonstrado, ele afasta todo senso crítico legítimo e em poucos dias do novo governo se pôde verificar incontáveis relativizações desonestas praticadas por cada um dos polos conforme o seu interesse.

colunistas, direita e esquerda


Christian Gonzaga

23 anos, advogado e cursando pós-graduação em Direito Previdenciário

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