O Porquê das Feministas Sempre Errarem, Assim Como Diversos Outros…

Introdução:

Há atualmente um enorme debate nas redes sociais acerca de diversos temas. Seja sobre aborto, legalização das drogas, legalização das armas etc. Temas polêmicos onde todos dão opinião, mas poucos entendem. Com tal cenário já dito, fica fácil ver o quão errôneos podem ser os argumentos feitos por diversos lados, mas os argumentos feitos por feministas mostram-se especialmente ausentes de lógica. Mas não preocupe-se, feminista que lê este artigo. Meu objetivo é fazer uma crítica construtiva, não uma crítica para deixar afundado o seu pensamento. Pegue o bloco de notas, um caderno e caneta, ou alguma outra coisa para anotar os ensinamentos aqui passados!

Ética e Guilhotina de Hume

A guilhotina de Hume é uma falácia lógica identificada por David Hume (1711-1776), na sua obra Investigação Sobre o Entendimento Humano e Sobre os Princípios da Moral. A guilhotina de Hume é uma demonstração lógica de um salto lógico, onde passa-se de uma premissa descritiva diretamente para uma conclusão prescritiva. Ou seja, há um salto de um fato para uma norma acerca daquele fato, mas sem uma premissa do meio de caráter normativo para dar sentido à normatividade da conclusão.

Nas próprias palavras de David Hume:
“[…] Disputas com homens que se aferram teimosamente a seus princípios são entre todas as mais tediosas, excetuando-se talvez aquelas com pessoas completamente insinceras, que não acreditam de fato nas opiniões que defendem, mas envolvem-se na controvérsia por um puro espírito de oposição ou por um desejo de mostrar espirituosidade e inventividade superiores do restante da humanidade. Em ambos os casos, e de esperar a mesma aderência cega aos argumentos, o mesmo desprezo por seus antagonistas e a mesma veemência apaixonada em defender sofismas e falsidades.
E como não é do raciocínio que nenhum desses contendores deriva suas doutrinas, é inútil esperar que qualquer lógica que não se dirige aos afetos – seja jamais capaz de levá-los a princípios mais sadios.”[¹]

Vamos a uma exemplo de silogismo clássico:

A) Todo homem é mortal,
B) Sócrates é homem,
C) Logo, Sócrates é mortal.

Este silogismo clássico consiste em uma asserção composta de duas premissas e uma conclusão. A) e B) são premissas descritivas e, por ser um argumento válido (no qual a conclusão deriva-se das premissas), a conclusão também é descritiva. Mas os argumentos que rondam internet à fora são de caráter normativo, onde a conclusão não descreve algo, mas sim prescreve (dita uma norma) algo, como “logo, o aborto deve ser legalizado”, “logo, a maconha deve ser legalizada”, “logo, as armas devem ser legalizadas” etc. Em linguagem matemática, um silogismo clássico fica assim: A∧B⇒C; onde A é a primeira premissa, B é a segunda premissa e C é a conclusão delas derivada. Mas tal argumento pode ser prescritivo ditando uma norma, onde há a premissa A como descritiva, há a premissa B como normativa e, por fim, há a conclusão C, que é normativa.

A falha dos argumentos do povo que debate em redes sociais é justamente a falta da premissa do meio (premissa B), que é normativa. Há salto lógico direto de uma descrição na primeira premissa para uma conclusão normativa. Vamos a alguns exemplos:
A) Mulheres morrem quando abortam clandestinamente,
B) (???)
C) Logo, o aborto deve ser legalizado.

A) Quando legaliza-se a maconha, a criminalidade cai,
B) (???)
C) Logo, a maconha deve ser legalizada.

A) Quando legaliza-se o porte de armas, a criminalidade cai,
B) (???)
C) Logo, o porte de armas deve ser legalizado.

Percebam que a premissa A sempre é descritiva, contendo, por exemplo, algum dado estatístico; no entanto, todos argumentos apresentam a falta de uma premissa B para defender a conclusão normativa. A premissa B que é normativa é exclusivamente dada por uma ramo da filosofia, chamado ética. Ou seja, a premissa B precisa ser uma premissa ética, na qual irá estabelecer-se como conectivo entre a premissa A e a conclusão C. No primeiro exemplo, temos a premissa A “mulheres morrem quando abortam clandestinamente”, e a conclusão C “logo, o aborto deve ser legalizado”. Perceba que aí no meio falta o porquê do interesse que as mulheres não morram. A primeira vista pode parecer óbvio, mas necessita-se de uma argumentação concreta para se apoiar a verdade. Vamos a um exemplo de argumento completo para dar uma noção, e usarei a porca ética utilitarista, criada por Jeremy Bentham (1748-1832), e evoluída pelo seu afilhado John Stuart Mill (1806-1873). Tal ética consiste na argumentação que deve-se buscar a maior felicidade e afastar o máximo de dor para a maioria das pessoas. Digo que esta ética é porca pois, através dela coisas horríveis podem ser dadas como certas. Por exemplo, Hitler, na Alemanha nazista chegou a ter 95% de apoio da população. Pela ética utilitarista (comumente usada de forma não intencional na internet), a uma maioria com prazer (95%) e apenas uma minoria com dor (5%), logo as agora de Hitler como matar negros, judeus, gays etc estaria correta.

Exemplo:

A) Liberar o porte de armas diminui a criminalidade,
B) (Ética Utilitarista),
C) Logo, deve ser legalizado o porte de armas.

Percebam que a premissa normativa é de suma importância, pois ela é o parâmetro para ditar o porquê de algo ser normativamente certo ou errado. Essa premissa dita o objetivo a ser alcançado enquanto a premissa primeira demonstra um fato para corroborar na conclusão. Se o objetivo for simplesmente diminuir a criminalidade, então crimes atuais como estupro poderiam ser legalizados, pois assim diminuiria-se a criminalidade. Há diversas formas de alcançar um dado objetivo, por isso essa premissa é tão importante. Se, de alguma forma, todos homens estuprarem todas mulheres que vissem aumentasse a felicidade da maioria da população, isso estaria correto pela ética utilitarista.

Portanto, caros leitores, de agora em diante, sempre utilizem uma premissa normativa com um objetivo formado em uma ética. Em outras palavras, usem argumentos éticos para defender o porquê de algo ser uma norma ou não. Indico o estudo da ética kantiana (ou ética do dever), ética cristã, ética aristotélica, ética lockeana etc.

¹ Investigação Sobre o Entendimento Humano e Sobre os Princípios da Moral, Seção 1, parte 2, página 225.

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