O “Oscar Brasileiro”

O cinema tem sido um dos mercados mais lucrativos no Brasil que, como se vê cresce significativamente no país pela participação de renda em filmes (destaque para aqueles popularmente chamados de “blockbusters”; aos não familiarizados com o termo, explicamos: Blockbusters são produções de grande orçamento que são direcionadas a um público abrangente, neles os estúdios depositam a espera de um grande sucesso de bilheteria). Sim, em muitos dos recentes casos os brasileiros perdem apenas para os chineses em bilheteria e para confirmar isso basta um rápido acesso ao BoxOffice Mojo.

Mas, qual a finalidade destas informações? Bom, o Brasil é um dos países onde a população mais assiste filmes trazidos do exterior, porém não é um país com um mercado cinematográfico participativo. Isso, no entanto, não se deve à culpa da criatividade brasileira ou apenas pelo preconceito dos brasileiros com as produções nacionais, e sim em razão da desvalorização e falta de investimento da própria mídia, e, para não estender os problemas, vamos diretamente ao assunto do artigo: o Brasil não tem um Oscar.

Questiona-se, qual o problema disso? Contudo, não é um ponto difícil de se entender. Os Estados Unidos têm seus filmes e eles são extremamente valorizados tanto por prêmios sindicais (dos atores, dos roteiristas, dos diretores, e etc.) quanto por prêmios midiáticos (MTV, Teen Choice e People Choice Awards, por exemplo). A Inglaterra, apesar de não ser tão presente nas grandes produções, tem o BAFTA que dá muita atenção aos filmes nacionais. E esses prêmios, desde sindicatos à festivais e prêmios de mídia, são extremamente importantes para que o mercado receba atenção.

Alguns brasileiros podem não saber, mas o Brasil possui prêmios de literatura, música e televisão fora daquilo que é oferecido pelo Faustão e Silvio Santos. Isso se repete com os queridos filmes nacionais. O Grande Otelo, como é chamado o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, é o “Oscar Brasilense” e provavelmente a maior parte da população nunca ouvir falar nele. Não há contradição ao se afirmar aqui que o país possui um Oscar, enquanto em linhas anteriores foi informado que “não há Oscar no Brasil”, pois se compararmos a valorização dada aos prêmios de cinema e televisão dos EUA e da Europa, sim, estamos estagnados, defasados, definitivamente, não temos um prêmio de cinema e televisão que dê o empurrão necessário.

Enquanto pelos consumidores da sétima arte não é dado o devido valor ao “Grande Otelo”, o país ficará órfão de torcida para que algum longa nacional chame a atenção dos membros da Academia Americana, a qual em passos lentos se movimenta neste mercado tupiniquim.

Um dos principais benefícios do Oscar é exatamente apresentar ao público filmes com conteúdo, estes que não chamam tanta a atenção e em várias ocasiões sequer se tinha ouvido falar (e eis o motivo da revolta quando anunciaram uma categoria para filmes populares), as categorias principais da premiação sempre vêm recheadas destes. Então, sim, uma maneira eficaz de valorizar o cinema brasileiro é utilizando das premiações nacionais para apresentar ao público os trabalhos, porém as premiações não serão vistas se a mídia não as apresentar, assim como provavelmente a internet não dará atenção se a mídia não o fizer.

Superficialmente não é uma sugestão complexa, sabe-se bem de como o entretenimento nas telas é dependente da boa vontade de algumas grandes emissoras, mas assim como aderiram-se ao streaming após a explosão da Netflix no país como forma de manter os olhos das pessoas nas novelas, minisséries e seriados (que tiveram um crescimento de produção bem visível, de certa forma), a mesma análise sobre a valorização do cinema no exterior poderia ser feita e trazer um sistema parecido ao Brasil. Dessa forma seriam esperados filmes mais diversos lucrando nas telonas e a fórmula noveleira podendo ser minimizada ou até banalizada, e já é possível notar que não é por falta de vontade dos diretores e roteiristas brasileiros fazer com que isso aconteça.

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