O círculo do mau de Hitler

A série é de fevereiro de 2018 mas eu só descobri recentemente. “Hitler’s circle of evil” é uma série que mistura dramatizações e relatos de estudiosos da história nazista e conta as tramas, conspirações e intrigas do círculo íntimo de Adolf Hitler desde seu início como um político revolucionário do sul da Alemanha até sua ascensão e queda  como Füher do III Reich.

Nessa série nós podemos ver como o dia a dia da política do alto escalão nazista é bem diferente do que imaginamos. Não são um grupo de burocratas malignos, sanguinários e preconceituosos sentados em uma sala de reuniões escuras planejando dominar o mundo e matar milhões de pessoas, pelo contrário, são um bando de interesseiros, conspiradores e puxa-sacos que orbitam como parasitas em torno da figura excêntrica de Adolf Hitler buscando conquistar mais poder e elevar sua posição dentro do círculo íntimo do Füher, custe o que custar.

Desde a figura do excêntrico e frustrado escritor e jornalista que se tornou Ministro de Propaganda da Alemanha Nazista, Joseph Goebbels; até a figura gorducha, pomposa e ostensiva de Hermann Göring, líder do Partido Nazista e responsável pela Luftwaffe. A série de 10 episódios mostra a trama que envolve todas essas figuras e como havia muita inveja, intriga e oposição dentro do próprio alto escalão Nazista.

Uma coisa interessante disso tudo é ver como haviam discordância sobre assuntos muito importantes dentro da política nazista. Isso se dá, entre outras coisas, dentro da questão do anti-semitismo. Isso fica claro, por exemplo, na kristallnacht, ou, noite dos cristais. A barbaridade da violência nazista na noite dos cristais, comandada principalmente por Joseph Goebbels, não agradou Heinrich Himmler, que descreveu como megalomania de Goebbels. Isso porque Himmler buscava tratar a questão judaica de uma forma mais sutil e menos aberta, como ele faz usando os campos de concentração.

Isso não tira as responsabilidades dos nazistas no crime que cometeram, mas mostra que mesmo em ditaduras totalitárias ainda há discordâncias e como Hitler não era um gênio megalomaníaco mas sim que a política nazista, como um todo, foi forjada em cima de cérebros conflitantes e as vezes até antagônicos, porém, unidos em cima de uma figura que centralizava tudo: o Füher.

Hitler não era a cabeça por trás de tudo. Nem mesmo a sua ideologia e seu livro foi escrito sozinho – teve ajuda importantíssima de Rudolf Hess.
Hitler era a figura, o símbolo que unia as cabeças do nazismo. Ele era o centro e as tramas do nazismo aconteciam à sua volta.

Disponível na Netflix, “Hitler’s circle of evil” vale a pena assistir e refletir.

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Marcos Serres

Marcos Serres, estudou ciências sociais e política e atualmente estuda técnicas administrativas. Espiritualista, ator e amante de artes e filosofia, nessa coluna vai tratar daqueles filmes e séries que nem todo mundo assistiu mas deveria.

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