Meninas transformadas em mulheres antes do tempo

A mistura de fatores como a cultura e as estruturas sociais está na raiz de um fenômeno tristemente comum no Brasil: O casamento infantil. Cerca de 3 milhões de meninas, menores de 18 anos se casam por ano no país. Um número chocante, ainda que menor em comparação a outros países como a Índia.

O artigo 1520 do código civil brasileiro, determina o casamento legal somente ao menino ou menina com 16 anos de idade. Livremente de gravidez ou permissão dos país. Conforme dita a lei, casar-se antes disso torna-se ilegal. No entanto, bem como aponta os dados, afirma-se o quão negligenciada tem sido a mesma.

Em culturas como a cigana, as meninas são “ vendidas “ a homens, mais velhos, logo após sua primeira menstruação as quais muitas das vezes ocorrem aos 13 anos de idade. Os pais recebem dotes, altíssimos podendo alcançar o valor de 100 mil reais enquanto suas filhas, ainda crianças passarão a ser consideradas, donas de casa. Podendo ser expostas a casos de violência doméstica e sexuais, como também, ao machismo por parte do marido. Sendo estes atos também, ainda que consternadamente triste, extremamente recorrentes no País.

Além das culturas existem também os fatores sociais e econômicos. O norte e nordeste do país, são duas das regiões que mais sentem com essas estruturas sociais. O acesso a educação, saúde de qualidade, lazer e ao trabalho nem sempre é uma realidade aos moradores dessas regiões, principalmente para os habitantes do interior. Desse modo, muitas meninas, de 14 e 15 anos, acabam procurando no casamento uma saída para essa situação. Porém, essa busca por uma vida melhor, muita das vezes podem ser frustradas. Homens mais velhos prometem uma melhora na vida dessas meninas, mas no final acabam a penas por tira-las de casa e colocá-las em situações parecidas ou até mesmo piores.

A proibição da união estável entre homem e menina, deve ser levada a sério bem como a pedofilia. Casamento infantil, nada mais é do que uma pedofilia permitida e de uma maneira ou outra vista pela sociedade como normal. Mas não é. Casar jovem, pode significar perder a juventude. Sufocar os sonhos e privar-se de uma possível vida de sucesso.

Em um país ocupante da 5° colocação mundial com mais feminicidios torna-se inadmissível fechar os olhos e aceitar que essa ação continue acontecendo. Uma vez que em telejornais muitas das vezes temos assistido casos e casos de meninas ainda novas assassinadas, pelo então namorado, como é o caso de Milena optimara soares cardenas. A menina de apenas 13 anos levou um tiro do namorado. Até então a motivação não foi esclarecida. Embora, pouco o que levou o jovem a fazer isso importaria aos pais da menina.

Ainda que seja contra lei casar-se menor de 16 anos, mesmo com a “ bênção “ dos pais os mesmos permitem, sejam esses por questões religiosas ou econômicas.

Quanto as questões econômicas e sociais, não deveria o estado prover melhoras nessa áreas para que essas garotas não precisassem se submeter à esta situação?

E quanto a religiosa e cultural, vale ressaltar a laicidade do país. Religião não deve ser vista como lei e, cultura, não deve de modo algum interferir nas leis. Ainda que as mesmas devem ser respeitadas, não devem se sobressair ao código civil ou até mesmo a constituição.

Em síntese, deve ser lembrada a importância de manter a infância dessas meninas e não se esquecer de modo algum que toda criança tem o direito de brincar, a escola e a proteção e cabe ao estado e a sociedade manter e fazer com que esse direito não seja violado.

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