Homem-Aranha no Aranhaverso é o filme ideal | Resenha Crítica

Seguindo a tradição de filmes do Homem-Aranha, que nunca deve parar, a Sony lança em 10 de janeiro (no Brasil) uma nova produção. Desta vez arriscada e longe, finalmente longe, de qualquer envolvimento com o MCU de Kevin Feige ou os filmes do “Universo de Heróis da Marvel da Sony (?)” iniciado em Venom — agora, uma animação.

Anunciado há dois anos, Homem-Aranha no Aranhaverso traz pela primeira vez aos cinemas o protagonista Miles Morales, criado por Brian Michael Bendis em 2011 para o Universo Ultimate. Por ser uma produção direta da Sony, após o anúncio da animação alguns fãs ficaram receosos com a qualidade do material e é, definitivamente, uma preocupação que deve ser imediatamente jogada fora.

A história, junto com a própria qualidade da animação (um estilo inovador, ao qual a produtora até pretende patenteá-la), é um grande ponto alto. Se passando em Nova York, como de costume, o longa apresenta Miles como apenas um promissor garoto do Brooklyn que é matriculado em uma escola contra sua vontade, já que a considera extremamente elitista. É o ponto de partida para que os eventos aconteçam, como ser picado por uma aranha radiotiva, a descoberta de uma máquina que pode se conectar entre dimensões e a inspiração por um falecido Peter Parker. Tendo conhecimento da culpa do Rei do Crime e de outros vilões nos acontecimentos, Morales recebe ajuda de vários outros aranhas para fazer justiça e levá-los de volta a seus mundos.

É uma trama justamente simples, que não força explicações desnecessárias e pode ser apreciada por qualquer idade. Não obstante, traz uma carga dramática muito maior do que o último filme do Homem-Aranha por Tom Holland — os fãs mais sentimentais podem realmente derramar lágrimas. Aranhaverso não mede esforços para criar situações divertidas e engraçadas, mas, diferentemente do live-action de Jon Watts, em momentos adequados reforça que todo Homem-Aranha é criado e inspirado a partir de uma perda e independente do que aconteça deve criar forças para se levantar, independendo também de seu universo de origem.

O trio de direção não perdoa nas referências. Tanto personagens quanto situações são homenageadas no longa, inclusive criadores de personagens e, como não poderia faltar, Stan Lee. A frase clássica do herói “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades” é repetida em alto e bom tom mais de uma vez, mostrando novamente que é um ideal do personagem em qualquer dimensão. Não se limitando à presenças visuais, o trabalho de dublagem também é muito bem localizado e importa referências principalmente da nostálgica trilogia de Sam Raimi.

Tecnicamente, o novo sucesso de crítica do personagem não peca em sua trilha sonora e muito menos na qualidade da animação, como já citado. Apresentando onomatopeias e caixas de diálogo ou pensamento em alguns momentos, assistimos uma animação que parece, literalmente, um gibi jogado nas telas gigantes do cinema e em movimento, uma movimentação, aliás, muito fluida e com efeitos que não confundem as informações absorvidas pelos olhos (mesmo em 3D, que mesmo não gostando, recomendo). Uma das coisas mais legais da produção é uma animação característica para cada Aranha de cada dimensão, principalmente o Noir, Peni Parker (a versão em anime) e o Porco-Aranha, que é uma certeira homenagem às animações do século passado.

Homem-Aranha no Aranhaverso é uma das melhores produções, senão a melhor, envolvendo o personagem nos cinemas. O longa é uma aula definitiva à nova fase do personagem no live-action no quesito de apelo dramático e até mesmo na pontualidade dos momentos cômicos, com uma animação surpreendentemente fluida e chamativa que pode servir de inspiração para próximas tentativas de outros estúdios. Os próximos filmes de herói de 2019 (mesmo com o lançamento oficial nos EUA tendo sido em dezembro) vão ter que se esforçar para bater a nova produção da Sony.


“Aquele que ajuda os outros, simplesmente porque deveria ajudar e porque é a coisa certa a se fazer, é, sem dúvida, um super-herói de verdade” – Stan Lee. 

Aranhaverso, Homem-Aranha, Sony

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